APRENDIZAGEM, MUDANÇA E CRESCIMENTO

A tua aprendizagem não é uma muralha mas sim um apoio. 

Já te aconteceu lutar contra a realidade? Há dias dei por mim a fazê-lo.


Vou contar como foi. Tinha uma esferográfica de marca mas de baixo valor que deixei cair ao chão e avariou o mecanismo. Ou seja, deixou de funcionar o botão de mola que ora expunha ora escondia o bico de escrita.

Como ‘decidi’ que tinha encravado o mecanismo, desmontei-o e remontei-o vezes sem conta. Só podia ser a mola presa, porque era o mais lógico.

Um dia, num acto distraído, espreitei pelo orifício por onde passa o bico e…lá estava uma limalha que tinha sido originada pela queda da esferográfica. Tal hipótese nunca me tinha passado pela cabeça pois a esferográfica não podia cair de bico porque era mais pesada na outra extremidade.

Retirada a limalha, com toda a facilidade, a esferográfica foi poupada ao triste destino de ser reciclada e continua a escrever diligentemente.

No Coaching e Terapia, na visão da PNL, o grande objectivo que está sempre em cima da mesa, ainda que de uma forma implícita, é devolver o poder ao cliente, ajudando-o a exercer e manifestar a sua liberdade de escolha.
Podemos chamar a esta directiva o princípio da Causa e Efeito. Estar no lugar da Causa significa dispor de opções comportamentais e ter a firme decisão de ser director da sua vida, por contraste com a situação de Efeito, em que não há liberdade de escolha e as pessoas se sentem vitimas de algo que as ultrapassa.

Lições desta minha história:

-Não estava em Causa mas sim em Efeito.
-Estiveram em acção os filtros universais de que fala a PNL: Omissão, Generalização e Distorção.

Omissão – eu não procurei mais dados e omiti alguns disponíveis. O tipo de resistência ao movimento da esferográfica não era consistente com a minha teoria. Ainda assim persisti nela.

Generalização – arrumei este caso na categoria de mecanismos caprichosos e objectos que teimam em não me obedecer. Senti a mesma energia que já havia experimentado em outras ocasiões. Resistência e esforço reactivo contra o que resiste.

Distorção –criei um ‘mapa’ do problema e coloquei-me dentro dele. A partir daí, bloqueei o acesso a nova informação, as minhas acções ficaram guiadas por uma orientação distorcida e não tiveram sucesso, naturalmente.

Alguém disse que nada é mais perigoso do que uma ideia quando só se tem uma. Nós tendemos a ver a realidade como julgamos que é.

Uma ideia forte para resumir este caso: é preciso trabalhar para que as aprendizagens que vamos fazendo não construam cercas e vedações que nos limitem, mas sim corredores e pontes para novas visões do mundo.

Aprender é uma forma de nos ligarmos ao mundo e de estimular a nossa vitalidade.

Aprendemos melhor quando:

  1. O ‘desconhecido’ tem qualquer coisa nova e boa para nos entregar.
  2. Tenho flexibilidade e espaço no meu modelo do mundo para aprender.
  3. Confusão criativa. Estou confuso mas isso significa que estou a entrar numa nova realidade

Ao contrário, limitamos a nossa capacidade de aprender se  estivermos cheios de certezas, o nosso ego se exprimir numa posição de arrogância ou a nossa insegurança se manifestar em resistência.

Aprender coisas novas tem um risco – deixarmos de apreciar o mundo que tínhamos construído sem elas.

Quem não corre riscos espera não cometer erros e a pouco mais pode aspirar. Pouco aprende e pouco atinge. 
Há pessoas que alcançam objectivos sumarentos (aqueles que incendeiam os corações); essas sabem correr riscos calculados tendo a perspectiva do seu custo ecológico*, – cometem alguns grandes e bons erros e aprendem muito.

*Custo ecológico é aquele que preserva o equilíbrio entre ganhos e perdas tanto para a pessoa (em todas as suas dimensões) como para os que lhe são mais próximos e significativos.

Aprender é também estar disponível para a mudança e transformação.

Porque pode ser tão difícil aceitar a mudança, acreditar que se pode mudar, perceber que se tem de mudar?
“Confrontadas com a escolha entre mudar a sua mente e provar que não há necessidade disso, quase todas as pessoas se atarefam a tratar da prova.” (J. K. Galbraith)
Se estás verdadeiramente envolvido num processo de transformação, precisas de ter um sonho, algo que te dê inspiração para a mudança.

Para que as transformações sejam possíveis é preciso libertar espaço para o que há-de vir.
É preciso criar vazios por onde fluam coisas (numa mudança de casa), e ideias, crenças, valores, padrões mentais, na mudança interior.
Há dois grandes obstáculos para a mudança (supondo que ela já foi aceite e é desejada):

1. Não saber o que se quer, sem um foco determinado nos resultados que queremos obter depois da mudança efectuada.
2. Querer conservar coisas que já não fazem sentido para o espaço para onde vamos e para a pessoa que estamos em via de ser.
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A minha sugestão é que te foques nestes dois tópicos:

1. Cria uma experiência sensorial rica e atraente daquilo que vais conseguir para que a mudança te motive.
2. Liberta-te com gosto (e com gozo e celebração) do que está a mais na tua vida para que o novo tenha espaço e energia para se instalar, florescer e frutificar!

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