A preocupação, a intuição e o crítico interior

“A preocupação não esvazia o amanhã das suas dificuldades mas esvazia o hoje da sua força”. Corrie Boom

Acreditas que os teus estados de espírito, manifestados no sistema corpo-mente descem do céu?
Certamente que não,  assim como não és vítima de uma partida do universo. 
Os teus sentimentos não são criados fora de ti. Não são criados por eventos externos. Não são criados por outras pessoas.

Podemos ter dificuldade em admitir, mas os nossos sentimentos são gerados através das interpretações que fazemos e dos significados que atribuímos aos acontecimentos. Melhor dizendo: à percepção que temos dos acontecimentos!
Isto convida-nos claramente a tomar responsabilidade pela nossa vida, fazer melhores escolhas e expandir simultaneamente a nossa liberdade e possibilidades.
Custa?
Talvez sim, mas vale muito a pena!
NOTA: Um dos princípios da PNL afirma que a Percepção é Projecção. Isto é, projectamos o que somos sobre o que percepcionamos.

A preocupação é um destes sentimentos de que tanto nos queixamos…

A preocupação é um estado normal perante tantos desafios que nos são colocados. É normal mas ineficaz.
Podemos fazer alguma coisa imediatamente? 
Então, vamos a isso.
Não podemos? 
Então busquemos a paz que decorre da aceitação das coisas tal qual são e aproveitemos essa PAZ para activar os recursos de que precisamos para avançar para a acção.
Como alguém me disse: “Não me preocupo com coisas com que não tenciono ocupar-me”.
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Gostava de partilhar contigo uma história que ajuda a esclarecer a natureza da mente e porque é tão difícil, para a maioria de nós, alcançar a paz interior.
– Há muitos milhares de anos, dois homens primitivos estavam a descansar depois de uma longa jornada de caça. Um deles, chamemos-lhe Al, o preocupado, manteve-se em guarda, simplesmente sentado, sempre atento aos sons circundantes, não fosse por ali aparecer uma fera selvagem em busca de jantar. O outro, Uz, o tranquilo, sentia-se em paz consigo e com o universo, pelo que se deitou e descansou profundamente, em sono solto.
Qual destes foi o teu antepassado?

Se disseste Uz, o tranquilo, lamento, creio que estás equivocado.
Com toda a probabilidade foi Al, o preocupado.
Infelizmente, o universo também protegia o tigre que devorou Uz, o despreocupado…o tranquilo que dormia numa zona de animais ferozes.
Hoje já não vivemos num mundo povoado de feras predadoras em que os nossos sentidos precisem de estar sempre alerta. Contudo, a nossa mente continua a fazer a sua função primordial – proteger-nos. Como? Questionando-nos sistematicamente sobre a qualidade e eficácia do que estamos a fazer.
Demasiadas vezes torna-se muito maçadora esta instância da mente, a que podemos chamar de crítico interior.

Resumindo: a preocupação, como modo de estar dominante, corresponde a uma função protectora da mente que perdeu a sua eficácia.


Na PNL, temos várias abordagens a esta natureza paradoxal da mente humana – quer o nosso bem e pode causar-nos tanto mal-estar!
Por agora, simplesmente uma sugestão…
Tens um crítico interior severo e desagradável?
Experimenta apresentá-lo à tua intuição. 
Pode ser que ela se intimide por não ser muito ouvida. 
Promete-lhe mais atenção, começando agora mesmo a ler os sinais que ela te envia na forma de fugazes sensações em sítios inesperados do teu corpo.
Com algumas flores e jantares íntimos, pode ser que o crítico e a intuição se enamorem.
Encoraja esse namoro, leva-os a passear juntos. Talvez ajude um curso ou workshop de PNL, a disciplina que junta o mundo consciente e o inconsciente.
Depois, apadrinha o seu casamento, de onde irão certamente nascer abundantes pensamentos positivos e bem estruturados.

Um tema relacionável com a preocupação é o receio perante a avaliação crítica. Não admira que, cansados da pressão constante do crítico interior, toleremos mal a crítica externa.

Perante uma avaliação ou apreciação crítica, qual destas posições tomas mais naturalmente, a 1ª ou a 2ª?
    1. Ouves críticas. 
Quase automaticamente, o teu crítico interior entra em ressonância e reages. “Não quero mais disto, não quero ser desconsiderado, não suporto o NÃO”. 
O teu frágil EU deixa-se levar pelo também frágil Ego que, fingindo coragem e fazendo serviço, protesta e reclama.
    2. Escutas críticas. Sabes que o teu EU não está em causa, mesmo que a pessoa que te critica tente diminuir-te porque o deseja ou porque não sabe fazer doutro modo. Sendo assim, manténs o Ego sob observação e não permites que o seu desejo de te defender atrapalhe a tua oportunidade de aprender.
Observas e consideras referências à qualidade, adequação ou eficácia de aspectos do teu comportamento. 
Eventualmente, compreendes que aspectos específicos de capacidades ou competências não estiveram presentes e/ou foram avaliadas deficientemente.
Comparas as propostas comportamentais que te fazem com as tuas estratégias habituais e decides o que fazer no futuro.
Agradeces.

    Parabéns por responderes 2, é bom saber escutar as críticas.
    Parabéns por teres respondido 1, é bom ser sincero e estar disponível para mudar…

As três energias de self-coaching

Stephen Gilligan, um psicólogo activo nos campos da PNL e da Hipnose Ericksoniana, propõe uma abordagem muito eficaz para ‘educares’ o teu crítico interior.

Como seria se lhe ensinasses estas três atitudes ou energias primárias para te acompanhar na sua crítica transformada em apoio de vida?

  1. Ternura – Uma energia calorosa e envolvente de compaixão e envolvimento. Amor própria e atitude auto cuidadora.
  2. Ousadia/Tenacidade – Uma energia incisiva e determinada que se foca no essencial e ajuda a passar à acção. Separa o que é importante e relevante do acessório e fútil.
  3. Humor/Diversão. Uma energia disruptiva e criativa. Permite pensar fora da caixa e sair de limites pre-concebidos.

Experimenta explorar sistematicamente estas três atitudes como se fossem janelas pelas quais dás significado às situações da tua vida. Como será combinar duas a duas? E as três, simultaneamente?

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