Vença a frustração gerindo melhor as suas expectativas

 “O Sucesso não é construído sobre o sucesso. É construído sobre falhanço. É construído sobre frustração. Às vezes, é construído sobre catástrofe.” Sumner Redstone.

“A nossa fadiga é frequentemente causada não por trabalho, mas por preocupação, frustração e ressentimento.” Dale Carnegie

A Frustração – o desagradável sentimento de não obter o que se pretende – é uma das mais antigas e frequentes experiências emocionais.

A criança sofre a frustração assim que verifica que o mundo está separado dela e não obtém de imediato o que deseja. A criança ainda não aprendeu que existe sempre um intervalo entre o querer e o obter. Crescer implica o reconhecimento deste intervalo e o aceitar que nem sempre se obtem o que se pretende.

Não é possível desenvolver actividades que exijam a preparação e investimento de esforço sem se aprender a adiar a gratificação. Numa sociedade que é cada vez mais rápida, com estímulos sempre presentes a chamarem-nos para o usufruto, para a fruição e para o prazer (vide a publicidade), a ausência de gratificação imediata é fonte de frustração para os mais jovens e para todos aqueles que não aprenderam a lidar com adiamento do prazer. Mas é mesmo preciso ficar preso a este dilema?

A resposta é NÃO e o segredo está em gerar as expectativas e assegurar o retorno de satisfação durante todo o tempo e não só ao atingir objectivos.

Como? Transformando objectivos em projectos e aprendendo a valorizar a satisfação interna.

  1. Dê atenção à boa formulação de objectivos. Estes devem ser realistas, sob controlo próprio e ecológicos, isto é, com todas as suas consequências consideradas e aceitáveis.
  2. Um objectivo que só rende satisfação no seu final está certamente mal formulado. Transforme os seus objectivos de médio e longo prazo em projectos, de forma a manter um retorno de feedback positivo ao longo de todo o processo.
  3. Valorize os pequenos sucessos ao longo do caminho.
  4. Transforme insucessos em aprendizagens.
  5. Invista o máximo de recursos no seu objectivo mas desvincule-se emocionalmente do seu resultado. Se falhar, terá o retorno de saber que fez o possível mas não tem de sofrer por isso.

Está a fazer o que é importante ou só o que é urgente?

Que tal fazer as coisas urgentes para os outros e adiar as que são importantes para si? Soa-lhe familiar? Este seria um bom fermento para um estado de frustração permanente. Sem deixar de respeitar compromissos externos, reserve algum tempo para coisas importantes para si.

Muitas pessoas olham para os seus compromissos, afazeres e objectivos como se vivessem num mundo a duas dimensões, perdendo a capacidade de perspectiva e distribuição no espaço. Se estiver sempre associado emocionalmente à sua agenda de obrigações e desejos, é isto que lhe sucede. Aprenda a dissociar-se, olhando para si próprio e para toda a sua agenda como se planasse a uma boa altura. Veja como tudo ganha outra perspectiva, com uma distribuição espacial de acordo com a sua importância. É fundamental que aprenda a visualizar um caminho livre para desenvolver o seu futuro, colocando os afazeres em zonas de acesso fácil, mas não directamente à sua frente.

 Tem objectivos atraentes ou grandiloquentes?

De acordo com a sugestão do ‘super coach’ Michael Neill, aspire a ter um dia médio e provavelmente vai ter um dia excelente. Não se trata de aspirar a menos do que o melhor que puder. Trata-se de fugir à maldição da excepcionalidade. Não podemos ser todos ou sempre excepcionais. Por vezes, devemos simplesmente desejar ser bons, estar na média, corresponder a expectativas razoáveis, alinhadas com uma percepção realista do nosso potencial.

Se procurar a sua felicidade nos sucessos materiais, estará a caminhar na senda da frustração. Os objectivos são um excelente instrumento para focar a sua energia para criar coisas de valor para si. Mas não têm muita utilidade para aumentar o seu nível fundamental de felicidade e bem-estar. Porquê? Porque os objectivos estão no exterior do seu ser essencial, quer seja uma viagem, uma promoção profissional, ou uma casa melhor. E a fonte de bem-estar, segurança e felicidade não está aí, mas no seu interior. Os objectivos poderão até tornar-se tóxicos se pensar que só ao atingi-los poderá obter o seu contentamento e satisfação. Faça um favor a si próprio, e dê a melhor qualidade de vida ao único momento em que você está vivo: agora.

Sem resistência não há luta

Como é a sua atitude em relação ao inevitável fluxo de contrariedades com que se ‘encontra’ todos os dias? Ou se’ confronta’? A escolha de palavras é significativa: muitos de nós têm uma atitude permanente de confronto e resistência perante o que sucede em desacordo com os nossos desejos ou expectativas.

Imagine-se de viagem num belo país com más estradas. A paisagem é deslumbrante mas a viagem é atribulada e o autocarro em que viaja já conheceu dias melhores. Qual dos casos se ajusta a si?

1-Agarra-se firmemente ao assento, antecipando com desgosto a próxima curva apertada e os ressaltos nos buracos da estrada. Só sonha com a chegada ao hotel onde, por fim, vai descansar e usufruir das suas férias.

2-Relaxa o máximo que pode, tentando oferecer a menor resistência aos movimentos bruscos do autocarro, enquanto admira a paisagem e desfruta de todos os momentos das suas bem merecidas férias.

No primeiro caso, você resiste, entra em stress e sente frustração por não estar a cumprir as expectativas das férias que pagou.

No segundo, a experiência externa é a mesma mas a representação interna é completamente diferente. Você aceita as condições objectivas da viagem e dedica-se a tirar o máximo partido das possibilidades que lhe são oferecidas.

Objectivos em conflito

Uma das fontes de frustração mais grave é a existência de conflito interno entre partes. Imagine que uma parte de si quer sair do seu emprego actual, porque se sente asfixiada, sem possibilidade de desenvolver o seu potencial e outra parte teme acima de tudo a insegurança e ordena-lhe que fique. Ou, num plano mais trivial, você sente-se dividido entre o desejo de fazer umas férias na praia e a necessidade de acabar de escrever um livro.

Qualquer que seja a sua escolha, se não tiver a atitude certa, o resultado será frustrante porque uma das partes será perdedora.

O que fazer para resolver um conflito deste tipo?

O modelo de partes da PNL aponta para a solução através da conciliação dos objectivos de nível superior.

  1. Determine claramente as questões principais do conflito, o que está em jogo, as consequências de fazer e de não fazer o que cada parte pede
  2. Encontre as intenções positivas e propósitos mais importantes que ambas as partes lhe pretendem dar. No exemplo anterior, talvez a parte que quer mudar de emprego lhe queira dar realização profissional e a outra lhe queira dar protecção. Verifique que cada parte reconhece e aceita a intenção positiva da outra. Isto não significa que uma delas tenha de desistir da sua posição. 
  3. A partir de uma posição neutral, como se personificasse uma outra parte independente das outras, desenvolva o processo de encontrar intenções positivas a um nível superior até que um objectivo comum seja atingido.
  4. Explore outra s alternativas para atingir o objectivo comum, respeitando a motivação de ambas as partes. Isto pode incluir uma mistura de ambas as escolhas ou ser completamente diferente do que estava inicialmente sobre a mesa.
  5. Identifique que escolha ou combinação de escolhas poderá satisfazer de uma forma eficiente e ecológica a intenção comum e as intenções positivas individuais de cada parte, como o melhor impacto no sistema como um todo.

Exemplo: no caso já apontado, a escolha poderia ser iniciar um processo de procura de um emprego estável e motivador, mantendo uma boa relação como o emprego actual numa perspectiva de futura mudança. Entretanto, poderá ser necessário inscrever-se num curso de actualização profissional para optimizar as hipóteses de encontrar o trabalho gratificante e estável que é o objectivo comum.

Projecção ou respeito pela integralidade do outro

O relacionamento humano é outra das frequentes origens e causas de frustração.

O que não deve fazer:

-Projectar sobre o outro as nossas próprias necessidades como se ele as devesse satisfazer e tivesse a chave para resolver os nossos problemas.  Porquê? Porque a consequência é ficarmos frustrados, particularmente quando o outro se nega a desempenhar o papel que tínhamos cuidadosamente preparado para ele.

O que pode fazer?

Respeite todas as diferenças e imprevisibilidade da outra pessoa. Espere um certo nível de qualidade no relacionamento ou de resultados no campo profissional (se for o caso), mas esteja preparado para acomodar a personalidade diferente, os métodos pessoais, o modelo do mundo original, enfim a integralidade do outro.

A Programação Neuro Linguística (PNL) éuma abordagem prática ao estudo da mente na perspectiva da excelência humana. 
Como nos podemos sentir bem, com acesso a todos os nossos recursos, resolvendo padrões ineficazes do passado e atingindo os nossos objectivos mais importantes.