Quando a vida se torna muito dura, liberte o Herói que há dentro de si

Há períodos da vida que são extremamente difíceis. Situações de perda, de separação inesperadas, em que tudo se desmorona e a vida parece ser tão injusta. Tudo parece correr mal. Ficamos num impasse, não sabemos para onde nos virar.

Eu gosto de usar o paradigma do herói e da vítima. Todos somos ambas as coisas, alternando a expressão da nossa ferida com a respectiva dor, característica da vítima e a valorização do nosso dom, que é a marca do herói.

O herói dentro de nós revela-se perante situações desafiantes, em que somos convocados para uma jornada de descoberta, saímos do nosso território habitual, ultrapassamos perigos, confrontamos adversários, encontramos aliados e acabamos por regressar com um tesouro, completos e renovados.

Quando estamos num impasse, temos tendência a fechar-nos na nossa apertada zona de conforto e contraímo-nos, de forma a proteger o que resta da nossa energia. Ora, a atitude de contrair desperdiça energia, uma vez que é defensiva e governada pelo ego. Não me perceba mal: você tem todo o direito a sentir-se ferido, eventualmente injustiçado pelos acontecimentos – mas pode pagar um preço alto se permanecer nesse estado.

A alternativa é entrar num estado de concentração e alinhamento do seu ser. Procure viver as suas dificuldades a partir do seu centro.

Centrar. Tomar consciência das sensações do seu corpo associadas ao problema que vive. Onde sente o seu mal-estar? Abrindo as mãos, em frente dessa zona do seu corpo, colocar entre elas um símbolo para essa sensação. Preste atenção à energia que pode surgir entre as mãos. Afaste e aproxime um pouco, em vibração lenta. Imagine-se ligado a uma fonte universal de energia, perdão e cura e visualize essa energia a concentrar-se entre as suas mãos. Quando estiver satisfeito, leve essa energia ao local do seu corpo onde sente que pode residir a seu sentimento de identidade, situado abaixo do pescoço e acima da pélvis. Integre e incorpore.

Alinhar. Pode flectir ligeiramente os joelhos, com os pés à largura dos ombros. Sinta a coluna a estender-se, como se um colar unisse todas vértebras fosse puxado por uma energia ascendente. Os ombros devem estar soltos, ligeiramente para trás e o olhar dirigido ao horizonte.

Experimente olhar para o seu problema como se o fizesse a partir do seu centro. Declare a sua intenção de valorizar e exprimir os seus dons, transformando-se, no seu tempo e de acordo com a energia que for mobilizando, no herói de si mesmo.

Quem é que é o dono da minha história? Não interessa agora o grau de responsabilidade que lhe cabe na situação em que está. Quando estamos mal, essa é uma discussão que não queremos fazer. Mas convém tomar o controlo da história. Um processo é empregar metáforas. Exemplo, o problema pode ser simbolizado pelo Dragão (pode criar outro símbolo, tal como Monstro ou outro qualquer que ache apropriado)

                        As posições arquetípicas perante o Dragão

  1. Inocente: Não sabe que o Dragão existe. Não tem dele experiência consciente. Tem todos os recursos inconscientes mas pode carecer da capacidade de os por em uso prático.
  2. Órfão: Experimenta o Dragão como um estado poderoso e assustador. Sente-se dominado pelo Dragão, sem defesa e sem ajuda. Tem o potencial de pedir ajuda e gritar
  3. Mártir: Sente-se perseguido e sacrificado pelo Dragão.
  4. Errante: Evita o Dragão, tenta ignorá-lo.
  5. Guerreiro: Sente o Dragão como inimigo a abater e luta contra ele.
  6. Feiticeiro: Sabe que o Dragão é poderoso, como seu próprio significado e destino, até como um recurso potencial.

Prática:

  1. Coloque uma folha de papel no centro de um espaço à volta do qual se possa mover. Nessa folha pode escrever o nome especial do seu Dragão, ou pode desenhar um símbolo.
  2. À volta, pode imaginar ou marcar outros seis espaços, que correspondem aos arquétipos acima descritos.
  3. Comece por visitar o domínio do Dragão. Ao sentir esse espaço, pergunte a si mesmo: Onde está presente o Dragão na minha vida? Que relação tenho com ele, para além do problema específico que agora me incomoda?
  4. Sacuda o seu corpo, para se libertar dessa energia e passe para o espaço do Inocente. Como poderá sentir no seu corpo a energia da inocência? Pergunte-se se pode simplesmente ignorar a presença do Dragão. Ou se pode trazer consigo a capacidade de estar completamente disponível para tudo o de novo que possa precisar para sua viagem de herói.
  5. Sacuda o seu corpo, respire profundamente e visite o espaço do órfão. O órfão está completamente a seu cargo, não pertence a nada nem a ninguém. É terrível sentir-se assim, mas tem direito a exprimir essa mágoa. E pedir socorro.
  6. Sacuda o seu corpo. Entre no espaço do mártir. Sente-se perseguido e sacrificado pelo Dragão. Pode até ter algum prazer mórbido na repetição das histórias de como é mau o dragão. Ser vítima é um estado complexo, onde pode misturar emoções muito contraditórias. Tem direito a exprimi-las e a gritar que está farto e pedir cura para as suas feridas.
  7. Sacuda o seu corpo e entre no espaço do errante, do que vagueia. Aqui você quer ignorar o Dragão, pode até fingir que ele não existe e está tudo bem, tentando ocultar o seu sofrimento. Pode ser um alívio fazer isto mas no fundo, você sabe que o Dragão não desaparece desta forma. Mas você tem o direito ao repouso que este estado lhe pode dar temporariamente.
  8. Sacuda o seu corpo e entre no estado no guerreiro. Aqui você quer combater, derrotar e aniquilar o Dragão. Ele é o seu inimigo e tem de desaparecer. Sente uma energia feroz e dirigida contra algo que lhe faz mal. Tem direito a exprimir a sua raiva e a sua agressividade.
  9. Sacuda o seu corpo e entre no espaço do Feiticeiro. Pode não ser logo fácil entrar na energia do Feiticeiro, aquele que se sente ligado a tudo o que existe e encontra recursos até nos seus opositores. Sugiro que aja como se fosse capaz de reenquadrar o seu problema como uma fonte de experiência e novas oportunidades. Ao aceitar o Dragão, o feiticeiro que há em si opera uma transformação alquímica e pode até transformar o próprio dragão.
  10. Reflicta em qual destes espaços se sentiu melhor? Onde sentiu que vive na maior parte do tempo? Qual lhe pode convir para resolver o seu impasse e partir para a sua jornada, sem medo do dragão?
  11. Para a sua Jornada do Herói, deve ser capaz de integrar as energias do inocente, do órfão, do mártir, do errante e do guerreiro e do feiticeiro. O inocente para a disponibilidade, do órfão para pedir socorro, do mártir para honrar a sua dor, do errante para olhar para outras áreas da sua vida, do guerreiro para a assertividade e do feiticeiro para a transformação.

O workshop “Chama por Ti”, normalmente realizado na forma de retiro, é uma profunda experiência psico-somática integrativa onde empregamos estas e outras práticas de descoberta e libertação pessoal combinadas como exercícios de Relaxamento Dinâmico.

Resulta de muitos anos de experiência em desenvolvimento humano de Carlos Baltazar (PNL e áreas afins) e Margarida Macedo (Relaxamento Dinâmico/Sofrologia Caycediana, Chi Kung, Tai-Chi).