Poder Pessoal – estar na Causa da sua vida

“A forma mais comum de perder o seu poder é pensar que não tem nenhum” – Alice Walker.

O tema do poder está presente na natureza humana, em todas as suas actividades.

Já reparou que, ao comunicarmos, quase inevitavelmente fazemos também uma demonstração de poder? Isto pode ser óbvio, em casos de agressividade ou passividade. O comunicador agressivo usa o seu poder sobre outros enquanto o passivo prescinde do seu poder.
O manipulativo usa o seu poder sobre o outro, mas esconde-o.
Quando estão num estado equilibrado de assertividade, as pessoas sentem que podem manifestar o seu poder, contido nos seus próprios valores e objectivos claros.

No Coaching e Terapia, na visão da PNL, o grande objectivo que está sempre em cima da mesa, ainda que de uma forma implícita, é devolver o poder ao cliente, ajudando-o a exercer e manifestar a sua liberdade de escolha. Podemos chamar a esta directiva o princípio da Causa e Efeito. Estar no lugar da Causa significa dispor de opções comportamentais e ter a firme decisão de ser director da sua vida, por contraste com a situação de Efeito, em que não há liberdade de escolha e as pessoas se sentem vitimas de algo que as ultrapassa.
Para alguém usar o seu poder é preciso reconciliar-se com as suas derrotas e com o sentimento interior de ser vulnerável. Como alguém disse, só merece a vitória (o usufruto do poder) quem soube lidar com derrotas.

Um exemplo, que eu costumo citar nos meus cursos de PNL, de alguém que soube manter-se em Causa mesmo em condições de vida muito duras é o de Nelson Mandela.
Apesar de preso, condenado a uma pena sem limite numa prisão de alta segurança, Mandela conseguiu manter o seu espírito livre, dirigindo a qualidade dos seus pensamentos e sentimentos. Desta forma, quando foi inesperadamente libertado, ele foi capaz de assumir uma posição exemplar de equilíbrio que foi determinante para a transição pacífica que marcou o fim do regime racista na África do Sul.
Não somos todos Mandela, no sentido de força de carácter perante adversidades.
Mas…porque não?
Felizmente a maioria de nós não é sujeito ao mesmo nível de adversidade. Estar no lugar da Causa é algo que pode ser treinado no dia a dia, sempre que assumimos responsabilidade pelos nossos actos e pela qualidade dos nossos estados, nas várias dimensões: física, mental e espiritual.

Na PNL, temos um grande foco nos Resultados, o que ganhamos ao atingir o Estado Desejado. Este foco não ilude a necessidade de encarar de frente o Estado Actual.

Um passo para estar no lugar da Causa e desenvolver o seu poder é aceitar a realidade objectiva do seu estado actual, por mais desagradável que seja. Sem este passo, de aceitação que não é resignação, dificilmente outros se poderão dar com consistência.
É como usar um mapa, precisamos de saber para onde queremos ir…mas também o lugar de onde partimos.

Ao aceitar o estado actual, o cliente não prescinde do poder de o alterar, mas escolhe não desperdiçar energia a lutar contra ele.  E ganha uma posição no mapa. Nenhum mapa é útil sem se saber para onde se quer ir mas fundamentalmente sem se saber onde se está.

A vida está repleta de eventos que não controlamos. A obsessão do controlo é tão má como a desistência de assumir a direcção.

Link do vídeo: https://youtu.be/FRpvxQ3YuwQ